05-03-2009 10:30
Pedro Santos Guerreiro

Ainda por cima, Fino pode vender a opção de compra!

Um dos aspectos mais polémicos do acordo entre a Caixa e Manuel Fino é a opção de compra no fim de três anos. Pois bem, há mais uma novidade "desagradável"...

Segundo o acordo, Fino pode recomprar os quase 9,58% da Cimpor à Caixa Geral de Depósitos, pagando um prémio já fixado de 6% a 8% ao ano, em capitalização (ou seja, a Caixa pode ganhar 19% a 26% no final do contrato se vender as acções a Fino).

Esta claúsula é má porque:

1) a Caixa não tem limites no prejuízo mas tem limites no lucro. Se as acções caírem, a Caixa perde tudo o que elas caírem. Se subirem por exemplo 50%, a Caixa só ganha entre 19% e 26%.

2) a Caixa não tem a opção de não vender no final dos 3 anos. Quem tem o poder da decisão é Manuel Fino

3) ficámos hoje a saber pelo Diário Económico de hoje que Manuel Fino pode vender a sua opção de compra. A quem? Aos franceses da Lafarge, por exemplo. Ou seja, todo o esforço da Caixa para evitar a entrega da Cimpor aos franceses pode ir por água abaixo.
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COMENTÁRIOS

05-03-2009 | 15:30 | napalm
Desconfiado tb estive, durante algum tempo mas fiquei esclarecido com a explicação de Jorge Tomé (Administrador da CGD e responsável primeiro pelo acordo)no "Prós e Contras" e, em momento nenhum me pareceu que teria sido intenção não entregar a a), b) ou c) a dita participação. Ficou isso sim claro que, em alternativa à venda do bloco a estrangeiros (não há nacionais com capacidade para tal e os que supostamente tinham foram "varridos do mapa", tal como os bancos que os apoiavam) seria a venda em bolsa, em pequenos lotes, que iriam claramente penalizar a cotação do título. O acordo, por si, era um mal menor que foi arrasado pela posterior queda das cotações. O que é fortemente criticável, e será sempre, é o papel de instituições como a CGD que canalizam recursos - no tempo em que achavam que estes eram ilimitados - para actividades pouco produtivas e ficam, a seguir, com o ónus de resolver as operações. Neste caso aplicou-se a máxima de "se deves 5,000 ao banco tens um problema, se deves 5,000,000, tem o banco o problema" - pouca ou nenhuma era a capacidade negocial da CGD, neste caso.

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