27-02-2009 10:59
Pedro Santos Guerreiro
O "segredo bancário" inclui o Banco de Portugal?
O Banco de Portugal decidiu voltar a baixar os rácios mínimos de capital (Tier 1) da banca para 7%, suspendendo o aumento para 8% que tinha sido imposto até 30 de Setembro. Como se soube? pela Caixa.
Provavelmente, Norberto Rosa descaiu-se, mas foi dessa forma estranha que se soube da medida de tão profundo alcance: o administrador da Caixa anunciou na conferência de imprensa de apresentação de resultados de ontem que o Banco de Portugal lhes tinah comunicado que já não aumentaria os rácios mínimos para 8%, ficando nos 7%.
É estranho que não tenha sido o Banco de Portugal a comunicá-lo. Mas além da forma, interessa o conteúdo.
Os bancos precisam de se capitalizar. Por isso, teoricamente faz sentido aumentar os rácios mínimos de capital. Foi o que pensaram as autoridades inglesas no Outono passado, elevando o rácio mínimo.
Só que, na prática, foi uma má decisão porque foi tomada cedo demais: não há accionistas disponíveis para aumentos de capital, o que implica que os bancos ou façam aumentos com prémios muito elevados, ou recorram a formas sub-reptícias de fazer de conta que aumentam o capital.
Ora, a partir do momento em que os ingleses aumentaram os rácios, os outros países europeus tiveram que ir atrás, por uam questão de concorrência: quem emprestaria dinheiro a bancos com rácios de 7% quando em Inglaterra há bancos com rácios de 9%?
Bom, os ingleses já realizaram a asneira e vão recuar. Por isso, o Banco de Portugal também vai recuar. E talvez recuem, portanto, algumas operações que estavam previstas.
Tudo na mesma. Mas quando estava o Banco de Portugal a pensar revelar o segredo? |