18-02-2009 10:04
Pedro Santos Guerreiro

TTT? TGV? Non, rien de rien

Sarkozy não aprovaria os grandes projectos do TGV e da terceira travessia do Tejo que Sócrates quer.

Os franceses aprenderam com os erros (e com o sobrecusto ruinoso do seu próprio projecto TGV) e, como propôs um relatório francês que o Negócios hoje divulga, há um maior filtro à análise custo-benefício.

O investimento no TGV é a "fundo perdido" e a sua rentabilidade operacional é ela própria duvidosa, assentando em estimativas de cash flow que subentendem um nível de tráfego que pode falhar. Allém disso, o custo-benefício calcula externalidades como o impacto positivo ambiental e a geração de receita fiscal que, supostamente, floresce nas zonas servidas pelo TGV (pressuposto: melhores acessos, melhor economia). É esse passe de mágica que torna o projecto viável nas contas do Governo.

Está na altura de o Governo assumir que o TGV é um projecto estratégico, não é um projecto económico. Ele dá prejuízo, pois o investimento jamais poderá ser recuperado. Mas o Governo tem a missão mandata pelo povo de ser mais do que um contabilista na análise dos seus projectos. O que deve é dizê-lo.

Também a nova estrada transmontana custa um balúrdio por quilómetro e no entando deverá poupar vidas, pois substitui um circuito de alta sinistralidade.


Francisco van Zeller vai levar esse estudo ao Palácio de São Bento mas pode tirar o cavalinho da chuva. Mesmo que Sarkozy dissesse "non, rien de rien", A secretária Ana Paula Vitorino acrescentará sempre "non, je ne regrette rien".
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